Não pretendo escrever um longo tratado sobre o que é SCADA e DCS (de agora em diante vou usar apenas o termo SCADA, que é mais comum), mas gostaria de fazer uma breve introdução para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer este mundo, tão amplo de tecnologias, que eu mesmo ainda estou apenas começando a aprender.
Basicamente, SCADA não é um produto, nem um sistema e nem mesmo uma tecnologia por sí só. SCADA é um termo que define uma arquitetura para estruturar e interligar diversos sistemas de supervisão (monitoração) e controle de ambientes industriais. Em inglês é Supervisory Control and Data Aquisition. Sua função é permitir que os operadores controlem processos distribuídos geograficamente, como subestações elétricas ou terminais de compressão de gás ao longo de um gasoduto. Só para citar alguns exemplos.
O DCS possui uma natureza mais local, ou seja, os operadores e o processo (a planta ou chão de fábrica) estão próximos um do outro. Em geral, o centro integrado de controle fica a poucos metros, senão dentro, da planta. Exemplo clássico são as refinarias e químicas em geral; controle do alto forno e outros.
Com esta simples definição, o mais atendo já percebe que do ponto de vista da segurança de rede, os maiores desafios se encontram no ambiente SCADA. Por que? Devido a distribuição geográfica do processo, a operação das redes SCADA são feitas através de redes WAN, de longo alcance e muitas vezes contratadas de terceiros, ou até mesmo públicas como a Internet. Também é muito comum a adoção de rádios 802.11, modems (PSTN, 3G etc). Assim, a “borda” da rede SCADA é muito maior do que num ambiente DCS e quanto maior a borda de uma rede, maior a probabilidade de existir um ponto vulnerável que permita a um invasor motivado encontrar uma porta de entrada.
Não estou afirmando que a rede industrial da fábrica não requeira proteção. Ela requer, e muito! Isso porque as redes corporativas (a rede não industrial) da maioria das empresas – por mais seguras que você (ou seu CSO) pense que ela seja – na verdade estão cheias de perigos para a rede industrial. Um desktop corporativo com vírus pode ser mortal para a sua rede de processos!
Por hora é isso. Pretendo ir melhorando a descrição de cada arquitetura aos poucos, com diagramas etc.
Abraços.

Viva, desde já os meus parabéns pela criação de um blog dedicado a sistemas SCADA.
Sou novo neste mundo, e gostaria de aprender mais sobre estes sistemas, visto que a minha tese de mestrado se envolve neste meio.
Cumprimentos
Ok. Gostei, porém não entendi por completo, o SCADA é a mesma coisa que DCS?
Obrigado pelo comentário. O blog está muito desatualizado, infelizmente. A desculpa é a bésica: falta tempo. Respondendo a sua pergunta, eles servem ao mesmo propósito: monitorar e controlar processos a partir de, simplificando, um computador desktop padrão (HMI) com o software apropriado. A diferença está na arquitetura dos ambientes. Enquanto o SCADA serve mais ao processo distribuído geograficamente, através de redes de longa distância, o DCS aplica-se aos ambientes onde o operador está próximo a planta de processo. Exemplo: um duto que se estende por centenas de quilômetros, com várias estações de bombeio, válvulas eletrônicas e outros sensores ao longo, irá requerer um sistema baseado em SCADA; já uma planta de celulose, onde a sala de controle e respectivos componentes estão a poucos metros, em rede local, usa o DCS.
Em ambos os casos, existem componentes semelhantes, como PLCs (só que o SCADA tem dois tipos: o Master e o Slave, geralmente a RTU), os softwares supervisorios, estações de engenharia, e toda gama de sensores e atuadores.
Alguns autores escrevem que DCS é quando se faz uso de um SDCD e SCADA, quando se usa PLCs. Não gosto desta definição, pois os sistemas atuais possuem cada vez mais, um pouco dos dois. Em muitos ambientes de SDCD pode-se encontrar redes SCADA, complementando a aquisição de dados, por exemplo. Logo, acho que a diferença nestas definições tendem a acabar.