Todos falam no PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, que enfim promete nos tirar desta inércia e lançar o nosso país numa posição de liderança econômica sólida. Basicamente, o PAC consiste, muito certamente, no investimento em ações de infraestrutura, como a revitalização de portos, ferrovias, construção de térmicas e hidrelétricas, gasodutos, telecomunicações, enfim, tudo o que as empresas precisam para garantir um crescimento investindo com a certeza de que não vai faltar energia, transporte etc.
Então se planeja algumas refinarias e pólos petroquímicos, mais plataformas e polidutos, algumas térmicas e hidrelétricas, mas vamos deixar de lado o fato de que o crescimento econômico do Brasil incomoda muita gente e isso representa um risco, cuja história recente do século XX nos ensinou que pode terminal mal? Vamos deixar de lado que a segunda metade do século XX pra cá foi de paz, pois não lembro agora de nenhuma guerra entre duas democracias neste período. De paz? De paz não, de conflitos não-bélicos. Não estou me referindo a guerra-fria. Me refiro a conflitos quase diários travados nos tribunais da OMC e outras instituições; aos conflitos que ocorrem nas mesas de negociação por investimentos estrangeiros; nos conflitos que ocorrem na especulação financeira que destrói bolsas, quebra empresas e gera desemprego.
Isso já vêm acontecendo. Com mérito ou não, isso não vou discutir agora, a Bolívia de Evo Morales está combatendo nosso governo (diplomaticamente?), pelas cláusulas dos contratos de venda do gás natural, pela exploração e produção de petróleo. Podem chamar isso de negociação natural do mercado, mas prefiro chamar de conflito econômico. Conflito porque reflete na economia do país. Gera desemprego.
Tendo o Brasil capitalizado a maioria dos investimentos estrangeiros na América do Sul nos últimos anos, e agora com o PAC, prometendo abrir várias cabeças de vantagem contra nossos concorrentes, aumenta e muito os riscos de virarmos alvos de contra-medidas estrangeiras, visando desestabilizar nossa economia para fortalecer a deles. O alvo mais provável de tais contra-medidas são as empresas de infraestrutura. Isso os Estados Unidos já sabem e estão fazendo de tudo para proteger as deles. Enquanto isso, o que nós estamos fazendo para proteger as nossas?
O PAC deve destinar verbas para a criação se não de uma secretaria, uma agência ou o que seja, que vise única e exclusivamente a garantir que estamos cuidando da segurança das nossas instalações, privadas ou públicas (não importa , pois como dizem os americanos, é uma questão de segurança nacional).
E que tal se hoje em dia pudermos dar shutdown numa estação de retransmissão elétrica através de uma rede wifi de dentro do conforto de um carro estacionado no bar a poucos metros? Pra que pensar em terroristas e bombas com possibilidades como esta?
PAC sim, mas com segurança e estratégia!

11 Fevereiro, 2008 às 4:58 pm |
Prezado José Carlos,
li seu site e achei muito interessante! Parabéns!!!
Trabalho em um site voltado para segurança digital: http://www.segurancaemrede.com.br e gostaria de te convidar para ser colnista do site!
Se interessar, entre em contato!
Grata,
Maria Luiza